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Projeto Geração Careta é exemplo de amor ao próximo e solidariedade

Voltado para prevenção das drogas e violência, projeto salva vidas e muda destinos de muitos jovens 

Por Fernanda Pizzotti

Em novembro, o projeto completa sete anos
Em novembro, o projeto Geração Careta completa sete anos

“A gente já tirou 13 soldados do tráfico”. É com esse espírito de amor ao próximo que o Projeto Geração Careta completa, em novembro, sete anos em atividade no Complexo Esportivo Caio Martins, em Niterói. Sem apoio dos governos estadual e municipal, o projeto de prevenção das drogas e violência para crianças e jovens de comunidades conta com amor, dedicação e solidariedade. Desde 2009, profissionais de artes marciais já deram os “caminhos das pedras” para cerca de seis mil jovens.

Um desses jovens é Reginaldo Fernandes. Ele descobriu o projeto logo no começo e após a perda do pai, aos 17 anos. Sem rumo e com a vida virada dos pés a cabeça, Reginaldo encontrou no projeto outros pais que o mantiveram no caminho do bem:

“Eles desempenharam esse papel, de pai, porque como diz o ditado pai não é só quem faz, mas quem cria, e pode-se dizer com toda a segurança que eles me criaram me treinando, não só como atleta, mas como pessoa, como homem. Eles me deram conselho quando eu precisei, puxaram minha orelha quando foi necessário (e foi muito necessário) porque venho de uma família simples e sempre morei em áreas de favela, com amigos que se perderam, infelizmente, para esse mundo. E como eu estava em um momento complicado e meio revoltado com a vida, eles me ajudaram a não seguir na direção errada”, revelou Reginaldo.

Reginaldo (à esquerda) com Richard (à frente) e Phil (à direita)
Reginaldo (à esquerda) com Richard (à frente) e Phil (à direita)

Os pais a quem Reginaldo se refere são o idealizador do projeto Sandro Araújo e os coordenadores. Richard Clarke, de 37 anos, coordenador de Artes Marciais e gestor de Segurança Pública, conta que o projeto teve início em 2003 com palestras sobre prevenção das drogas proferidas em escolas públicas e privadas pelo policial federal Sandro Araújo. Inclusive, é do Richard a frase abre esta matéria.

Em 2009, Richard, o irmão Philip Clarke e Marcelo Azedias foram convidados a inserir as aulas de artes marciais no projeto. “As artes marciais são um elemento disciplinador. A gente bate na tecla de que eles não podem ser vítimas da droga”, contou.

Sandro Araújo dá palestra sobre drogas nas escolas desde 2003
Sandro Araújo dá palestra sobre drogas nas escolas desde 2003

“Conversei com Richard, Sandro e Phil (Philip) muitas vezes. O Phil, inclusive, chamo de pai! Falei sobre o quanto estava complicado com problemas em casa e tendo que trabalhar pra ajudar. Me afastei um tempo do projeto, mas eles nunca desistiram de mim e não deixaram eu desistir de mim mesmo, me ajudavam a conseguir emprego e graças ao projeto entrei para a faculdade. Eles sempre estiveram ao meu lado, me dando suporte sem querer nada em troca. Só pediam para eu me esforçar, respeitar e levar adiante a bandeira do projeto, que era muito mais do que só a parte das artes marciais, e sim sobre valores morais”, relatou Reginaldo.

“Nós não damos o peixe. Nós ensinamos a pescar. É um crescimento pessoal enorme ver a evolução dessa galera. Hoje em atividade temos cerca de 350 pessoas, mas já passaram milhares por aqui. Muitos hoje estão formados e trabalhando. Isso é muito gratificante pra gente”, contou Richard Clarke.

“O projeto e esses caras são responsáveis, em grande parte, pelo que sou hoje. Por onde cheguei e estou chegando. Pelo jeito que me comporto, pelo homem que eu e tantos outros meninos e meninas estão se tornando, pessoas de valores e de caráter, longe das drogas, das ruas, das burradas que todos cometem. O Projeto nos ensina a tomar as decisões corretas. O Projeto me fez alguém com valor, dignidade, futuro. Me fez um “careta” e eu tenho orgulho disso”, contou Reginaldo.

E quem disse que é só a galera da comunidade que frequenta as aulas? O treinamento de alto nível desperta atenção até mesmo de moradores de coberturas de Icaraí, zona sul de Niterói. “Nunca tivemos problemas com preconceito. Aqui todo mundo é amigo de todo mundo, as realidades se misturam. Tem gente aqui que mora no prédio ao lado bem como tem pessoas que vêm de Maricá e Alcântara”, explicou Richard.

Visita da lutadora do UFC e integrante do Projeto Geração Careta, no dia 21 de junho, Jéssica "Bate Estaca" Andrade
Visita da lutadora do UFC e integrante do Projeto Geração Careta, no dia 21 de junho, Jéssica “Bate Estaca” Andrade

O treinamento é tão intenso e profissional que os atletas já desembarcaram em tatames e rings internacionais. Exemplo disso é a lutadora de UFC Jéssica “Bate Estaca” que também já respirou os ares do Caio Martins. “Eles têm que enxergar isso aqui como uma possibilidade de crescimento para eles porque os campeonatos estão aí”, declarou Richard.

A solidariedade é tanta que há dois anos teve início o Pré-Vestibular do Projeto Geração Careta. Todos os dias, das 19h30 às 21h30, professores voluntários dão aulas para os praticantes das modalidades. Louise Souza de Menezes, de 28 anos, é professora voluntária de Biologia e fala com orgulho do projeto. Ela também frequenta as aulas de boxe filipino do mestre Richard Clarke, que, inclusive, passa a integrar a partir de hoje a OAB Mulher/Niterói como colaborador na defesa da mulher contra a violência.

“Tenho orgulho de fazer parte desse projeto, pois junto com outros professores vejo a realização de sonhos através da aprovação dos alunos no Enem. Alunos que não podem pagar um cursinho particular por não terem condição financeira. Sou grata por poder fazer parte desta equipe maravilhosa e desse incrível projeto do qual espero ver muitos mais frutos sendo gerados, onde meninos e meninas abandonem as drogas e o narcotráfico, se dedicando aos estudos e ao esporte, buscando modificar seu futuro”, contou.

Alunos e organizadores
Alunos e organizadores

O projeto funciona às terças e quintas-feiras das 16h30 às 22h no Caio Martins e comporta todas as faixas etárias. As modalidades oferecidas pelo Geração Careta são: boxe filipino, MMA, jiu jitsu, muay thai e taekwondo. O idealizador é Sandro Araújo, o coordenador de Artes Marciais é Richard Clarke e os mestres e professores são, além de Sandro e Richard; Philip Clarke, Marcelo Azedias e José Paulo Gurgel.

Quer saber mais sobre o projeto? Quer ajudar ou participar? Dá um pulo no Caio Martins! Os professores estão te esperando de braços abertos!

 

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