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A maratona e seus fatos marcantes

Tradicional prova costuma fechar as Olimpíadas 

A maratona é uma das mais longas, desgastantes e difíceis provas do atletismo e faz parte dos Jogos Olímpicos desde a primeira edição em Atenas, 1896. Sua distância atual (42,195km), percorrida pela primeira vez em Londres 1908, só se tornou oficial em 1921.

Única modalidade esportiva que se originou de uma lenda, seu nome foi instituído como uma homenagem à antiga lenda grega do soldado ateniense Fidípides, um mensageiro do exército de Atenas, que teria corrido cerca de 40 km entre o campo de batalha de Maratona até Atenas para anunciar aos cidadãos da cidade a vitória dos exércitos atenienses contra os persas e morrido de exaustão após cumprir a missão.

imageDisputada ininterruptamente nos Jogos pelos mais de oitenta anos seguintes apenas como uma prova masculina – não se imaginava que as mulheres fossem capaz de correr tal distância – a maratona feminina foi introduzida em Los Angeles 1984, com a norte-americana Joan Benoit sendo a primeira campeã olímpica da história. Mas esta maratona foi marcada mesmo pelo esforço desesperado da suíça Gabriele Andersen, que entrou no estádio com o corpo em petição de miséria. Desidratada e sofrendo cãibras, mal conseguia controlar os movimentos. Mesmo assim, torta e quase desmaiando, completou a prova. Levou cerca de cinco minutos para percorrer a última volta e fechou em 2h48min42, o que lhe valeu o 37º lugar. Não ganhou medalha, mas passou à história como exemplo de determinação.

abebeAnos antes em 1960 na cidade de Roma sede da 17.ª edição da Olimpíada, um integrante do corpo da guarda pessoal do imperador etíope Haile Seilassie venceu a maratona correndo descalço. Seu nome era Abebe Bikila. Bikila, até então um desconhecido soldado de segunda classe, percorreu, descalço, os 42.195 metros do percurso em 2h15min16s2. Ganhou a medalha de ouro e ainda bateu um recorde mundial.

Descalço Abebe Bikila faz história nas Olimpíadas de Roma, em 1960

Mas, para nós brasileiros, a maratona mais marcante foi a de 2004 em Atenas, quando Vanderlei Cordeiro de Lima viu o sonho da medalha de ouro ser interrompido ao ser atacado no meio da rua por um espectador, o ex-padre irlandês Cornelius Horan, que o jogou fora da pista. Ajudado por um espectador grego a se desvencilhar do agressor, voltou à prova ainda na liderança, mantendo ainda a metade da vantagem que tinha. Entretanto, o inesperado e o susto da agressão sofrida tiraram a concentração do atleta que não conseguiu manter o mesmo ritmo em que corria, sendo ultrapassado nos quilômetros finais pelo italiano Baldini e pelo norte-americano Meb Keflezighi, mas mesmo assim conseguindo ficar com a medalha de bronze, apenas 15s na frente do quarto colocado, Jon Brown, da Grã-Bretanha.

Vanderlei, porém, aceitou seu destino com espírito esportivo e continuou até o fim, entrando no estádio olímpico sob a ovação da plateia, fazendo seu conhecido gesto de “aviãozinho” com os braços enquanto cruzava sorridente a linha de chegada. Durante o encerramento dos Jogos, foi anunciado que por seu feito, seu espírito esportivo em continuar na disputa mesmo sendo atacado e a humildade demonstrada após a prova, Vanderlei seria agraciado com a Medalha Pierre de Coubertin, concedida pelo COI para atletas que valorizam a competição olímpica mais do que a vitória e que é considerada uma honra elevadíssima atribuída pela entidade.

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