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O sul-africano Jordy Smith é o campeão do Hurley Pro 2016

Filipe Toledo como destaque brasileiro e Medina em polêmica com notas 

Jordy Smith (Foto: WSL / Kirstin Scholtz)
Jordy Smith (Foto: WSL / Kirstin Scholtz)

O sul-africano Jordy Smith repetiu o feito de 2014 e venceu o Hurley Pro at Trestles, na Califórnia, Estados Unidos, nesta quarta-feira, 14. Jordy disputou a final com o australiano Joel Parkinson e mostrou sua intimidade com as ondas do local, arrebentando e pegando as melhores ondas da bateria. Parkinson conseguiu pegar apenas duas boas séries. O placar acabou em 15.80 a 15.36 pontos.

Com a vitória, Jordy Smith agora passa a ter chance matemática de brigar pela liderança no ranking mundial na próxima etapa, com Gabriel Medina, defendendo o título do Quiksilver Pro France. O havaiano John John Florence, continua com a lycra amarela e Medina tirou a segunda posição do australiano Matt Wilkinson em Trestles.

Filipe Toledo (Foto: WSL / Sean Rowland)
Filipe Toledo (Foto: WSL / Sean Rowland)

Antes de derrotar  o australiano e levar o caneco, o sul-africano derrotou também o brasileiro Filipe Toledo na semifinal. Filipinho foi de longe o melhor brazuca na etapa californiana. Com manobras incríveis, o paulista, que chegou a semi bastante empolgado depois de derrotar o mito Kelly Slater em uma bateria incrível, até começou forte a bateria, mas Jordy reagiu a altura e arrancou duas notas altas dos juízes, fazendo com que Filipinho fosse eliminado. Com o resultado, Filipe Toledo termina em 3º lugar na etapa e em .11º no ranking mundial.

Faltam  ainda três etapas para decidir o campeão mundial da temporada, todas vencidas por brasileiros em 2015. A próxima etapa será em Landes, na França, de 4 a 15 de outubro, em seguida Peniche, em Portugal, entre 18 e 29 de outubro, e, por fim, Pipeline Masters, no Havaí, de 8 a 20 de dezembro.

Polêmica Medina

Gabriel Medina se sentiu prejudicado pelos juízes da WSL no último sábado, 10, quando surfou o Round 3 contra o  americano Tanner Gudauskas. Faltando oito minutos para o fim da bateria, Gabriel precisava de uma nota 8.34 para virar e eliminar Gudauskas, mas os juízes deram a média 8.30, fazendo com que o brasileiro fosse eliminado com um placar de 17.13 a 17.34 do americano. Ainda dentro da água, Medina protestou e, debochando, bateu palmas para os juízes.

Na avaliação das ondas, são cinco juízes que dão as notas, sendo que a melhor e a pior são cortadas, valendo assim a média das outras três. Dois desses juízes deram a virada (8.80 e 8.50), mas três não consideraram que Gabriel merecia virar o placar, dando notas mais baixas (7.80, 8.20 e 8.20).

A polêmica tomou uma grande proporção, fazendo com que as pessoas expusessem suas revoltas através de comentários em um post no perfil oficial da WSL. A publicação ficou repleta de comentários como “shame” (vergonha), #corruptjugeswsl (juízes corrompidos da WSL).

Internautas desabafam em post da WSL (Foto: Reprodução)

Comentaristas da TV brasileira e da própria WSL também ficaram bastante surpresos com o julgamento. Para eles, que ficaram totalmente chocados com a nota, a onda merecia no mínimo uma nota 9.00, pois consideraram a melhor onda da bateria, melhor inclusive que a primeira em que Gabriel recebeu um 8.83.

No programa pós-etapa da transmissão oficial, o debate prosseguiu:

– Esta vai ser daquelas baterias que serão debatidas durante toda a temporada. Eu achei que aquela onda fosse suficiente para Gabriel virar a bateria. Claro que cada um tem sua opinião, mas na minha visão, Gabriel levou essa. Achei que foi na casa dos nove – disse o apresentador Peter Mel.

O repórter “aquático” Strider Wasilewski, que estava o mar no momento que Gabriel executou as manobras, também compartilhou da surpresa:

– Para mim, na água, minha primeira reação a isso foi de choque. Eu fiquei absolutamente chocado. Quando vi a onda por trás, tudo que eu vi foi muito spray – completou.

Um dos pioneiros do surfe no Brasil, Ricardo Bocão foi outro que não poupou a decisão dos juízes e criticou através de suas redes sociais.

Ricardo bocão criticou a decisão dos juízes da WSL (Foto: Reprodução Instagram)

Dentro do próprio círculo de surfistas, muitos manifestaram apoio a Gabriel Medina, ainda na areia ou através de mensagens.

– Quando ele pegou aquela última onda eu sinceramente achei que ele tinha conseguido a nota. Na primeira vez que vi achei que seria uns nove, nove alto. Quando assisti novamente, pensei: foi um 9.6. Eles viram diferente. Sei lá… Não dá para explicar – disse Mick Fanning.

Bourez também deu sua opinião sobre a polêmica onda de Medina (Foto: Reprodução/Instagram)O taitiano Michel Bourez também deu sua opinião sobre a polêmica eliminação de Medina:

– Demorei um pouco para colocar essa foto porque eu sei que as pessoas querem falar sobre isso: a bateria de Medina. Nenhum desrespeito com Tanner, mas sinceramente eu acho que ele conseguiu a nota que precisava no fim. Sei que a tarefa dos juízes não é fácil, mas acredito que a onda de Gabriel foi excelente. Essa é a minha opinião – escreveu o taitiano.

O padrasto e treinador de Gabriel, Charles Rodrigues, disse acreditar que os juízes estão “brecando” deliberadamente o brasileiro:

– Sei que é ruim ficar reclamando, mas de todos os eventos que o Gabriel foi prejudicado, esse aqui foi o pior. O Gabriel fez a melhor onda do dia, a melhor do campeonato, e os juízes, infelizmente, conseguiram dar uma nota baixa e o Gabriel não conseguiu virar. Eu fico triste com isso. Claramente estão brecando o Gabriel. Imagine se o atletismo fosse brecar o Usain Bolt ou se a natação fosse brecar o Michael Phelps. Não dá. O menino nasceu para o esporte, ele vai lá e ganha e, infelizmente, cinco pessoas estão determinando o que é o certo e o que é o errado. Eles estão há mais de 20 anos, parece uma ditadura isso aqui – disse Charles.

Caso vencesse a bateria, Medina poderia assumir a liderança no ranking mundial se fosse à semifinal, pois o atual líder, o havaiano John Jonh Florence, já havia sido eliminado no sábado pelo americano Brett Simpson também no Round 3.

Assista aqui a bateria de Medina e Gudauskas:

 

 

 

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