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A Ditadura Militar e a proibição do futebol feminino

No aniversário de 57 anos do golpe militar, lembramos como o período foi  autoritário na proibição de esportes praticados por mulheres

Foto: Sidney Corrallo / Estadão

Em janeiro de 1965, passados apenas cerca de nove meses desde o golpe militar de 64, os jornais anunciavam que o então Conselho Nacional de Desportos (CND) – extinto em 1993 – havia decidido proibir o futebol feminino. Assim, mulheres e meninas se viram constitucionalmente impedidas de praticar o esporte mais popular do país. 

Naquele mesmo ano, em agosto, em sessão presidida pelo general Eloy Massey Oliveira de Menezes, outras modalidades esportivas também ficaram proibidas às cidadãs, como lutas em geral, futebol de salão, futebol de praia e baseball. Esse decreto só foi revogado em 1980. Durante esses 15 anos de proibição legal, as mulheres presenciaram algumas demonstrações claras do preconceito: enquanto vivenciavam a conquista dos homens na Copa do Mundo de 1970, elas mesmas sequer podiam praticar o esporte. 

Jornal anuncia em 9 de janeiro de 1965 a proibição do futebol feminino pelo CND (Fonte: Jornal dos Sports / Arquivo Digital)

Há exatos 57 anos do golpe que instaurou a Ditadura Militar no Brasil, é importante relembrarmos como as forças de Estado trataram com preconceito e autoritarismo o futebol feminino durante as décadas de 1960 e 1970. Manter essa memória viva é interessante para que possamos identificar hoje, em 2021, as raízes do descaso e desatenção da sociedade e da imprensa para com o futebol jogado por mulheres.

Em 2016, Leila Salvini, doutora em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou que apenas a partir dos anos 2000 foi possível observar um jornalismo esportivo comprometido com a profissionalização do futebol feminino e com a veiculação de notícias que rompiam com estereótipos e preconceitos, embora estes ainda estivessem presentes em algumas publicações, persistindo em discursos endossados durante o regime militar.

Então, que o aniversário do golpe nos leve a pensar no quanto as mulheres avançaram e, para além disso, o que falta para elas avançarem mais ainda. O futebol feminino, quando comparado ao masculino, é negligenciado pelos portais de imprensa e pela sociedade. A explicação é histórica: mulheres tiveram seu direito à prática de esportes cerceado, ao mesmo tempo em que os governantes militares celebravam as conquistas esportivas masculinas.



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