
A estreia de Davide Ancelotti no comando do Botafogo teve mais domínio do que brilho. Diante de um Vitória frágil e acuado, o time alvinegro até apresentou intensidade e volume ofensivo, mas voltou a esbarrar nos velhos problemas de criatividade e finalização. No fim, o empate sem gols no Nilton Santos, na noite de quarta-feira, teve gosto amargo para quem esperava um início mais contundente da nova era.
O primeiro tempo foi quase um ataque contra defesa. O Botafogo pressionou desde o início, recuperando a bola no campo rival e empilhando finalizações, foram dez só na etapa inicial, contra duas do Vitória. A postura agressiva foi animadora, mas não se traduziu em eficácia. Lucas Arcanjo brilhou em pelo menos três defesas decisivas, e a trave salvou os visitantes em duas ocasiões.
Ainda que o modelo de jogo de Ancelotti comece a dar sinais, pressão alta, circulação rápida e jogo pelos lados, a equipe sofreu com a previsibilidade. Sem variações criativas, passou a recorrer excessivamente aos cruzamentos (foram 37 ao longo da partida), apostando na bola aérea como única válvula de escape. O time se afogou na própria repetição.
As trocas no segundo tempo acentuaram o declínio. As entradas de Cuiabano, Joaquín Correa e Santiago Rodríguez não deram nova vida ao time, que perdeu ritmo e organização. Gregore, que fez sua despedida antes de ir para o futebol do Catar, ainda deixou um cruzamento preciso para Cuiabano acertar o travessão no último lance, uma despedida digna, em meio ao empate frustrante.
O Botafogo vive um momento de transição. Davide Ancelotti precisa de tempo, mas também de respostas rápidas. O time domina adversários frágeis, mas continua pecando nas decisões finais. Se quiser ser competitivo nas próximas fases do Campeonato Brasileiro e nos torneios internacionais, precisará urgentemente transformar o volume em gols, e a posse em vitórias.