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Renovação de direitos de imagem, quase uma novela

Por Natalia Brasil Moyano

Rede Globo e Flamengo não se acertam e jogos do
rubro-negro não são televisionados

Um clima de nostalgia invadiu o Campeonato Estadual do Rio esse ano. Apesar de manter seus ouvintes fiéis, que não abrem mão da emoção de ouvir as partidas pelo rádio, a falta de acordo entre Flamengo e Rede Globo, sobre os direitos de transmissão de suas partidas, fez com que milhões de torcedores rubro-negros voltassem a colar o ouvido no radinho. Outra opção é acompanhar através das emissoras via Internet.

Paralelo ao aspecto “túnel do tempo” temos em pauta algumas questões delicadas a serem debatidas. Teria razão o Flamengo ao pedir cifras tão altas? Estaria ameaçada a soberania da Rede Globo nas transmissões? Indo ainda mais fundo, estaria o modelo do Campeonato Estadual fadado ao fim ou a uma renovação? Todas essas perguntas já vêm sendo feitas ao longo dos últimos anos, principalmente sobre a relevância para os grandes clubes dos campeonatos estaduais, mas as respostas, no entanto, ainda são vagas.

Avaliando o quesito arrecadação, o Flamengo argumenta ter elevado o poder de sua marca desde a última negociação, fato que se consolidou vide a última temporada extremamente vitoriosa e rentável. Hoje, os valores recebidos pelos direitos do estadual significam em torno de 2 a 3 % do orçamento anual do clube, sendo assim a diretoria se sentiu segura em negociar com base em cifras mais altas, chegando até a sugerir a compra dos direitos para realizar sua própria transmissão. Em contrapartida, a Rede Globo alega não ter interesse em causar uma disparidade muito grande entre os valores pagos aos demais times, já acordados com a mesma, entre outras questões orçamentárias.

Não é a primeira vez que essa falta de acordo acontece já que Athlético Paranaense e Palmeiras também já passaram por isso. A diretoria do Flamengo nega qualquer intenção de desprestigiar a competição, mas é notório que o Flamengo se diferencia dos demais por não ter esse recurso previsto em seu orçamento. Para completar, com o poder das redes sociais e mídias alternativas, os clubes perceberam que são grandes produtores de conteúdo, fato recente que não acontecia no passado.

Teremos agora que acompanhar os desdobramentos desse impasse, que pode ter novos capítulos com a chegada do time titular. Será que o prejuízo com a falta de adesão aos sistemas pay-per-view fará com que a emissora reconsidere uma nova proposta? E, será que o modelo dos campeonatos será reavaliado? Fato é que teremos uma perspectiva melhor a partir de 2021, quando ocorre a renovação de direitos do Campeonato Paulista, o que pode ser um divisor de águas quanto ao formato atual, um tanto desgastado.

Enquanto essas pendências permanecem em aberto, cabe a nós torcedores curtir o momento flashback dos anos 90, aproveitando a melhoria da qualidade das transmissões de rádio, deixando a imaginação rolar enquanto os narradores e narradoras exercem sua função da melhor maneira possível, cheios de emoção. Que o futebol continue sendo o protagonista e não os cifrões.

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