Você está aqui
Home > Botafogo > Botafogo empata com o São Paulo, mostra evolução ofensiva, mas escancara fragilidade na defesa

Botafogo empata com o São Paulo, mostra evolução ofensiva, mas escancara fragilidade na defesa

Foto: Vitor Silva / Botafogo

O Botafogo empatou em 2 a 2 com o São Paulo, nesta quarta-feira (16), no Nilton Santos, e chegou a cinco pontos em quatro rodadas no Campeonato Brasileiro. O resultado, que em outro contexto poderia parecer aceitável, escancarou a dificuldade da equipe em encontrar equilíbrio entre ataque e defesa. Sob o comando de Renato Paiva, o time começa a mostrar sinais claros de evolução ofensiva, especialmente com a presença de Savarino como armador central, mas os erros defensivos — muitos deles primários — continuam minando as chances de vitória.

A atuação diante do São Paulo foi marcada por um time mais leve e criativo no campo de ataque. A decisão do treinador português de colocar Savarino como “camisa 10” rendeu frutos. O Botafogo trocou passes com mais facilidade, conseguiu se aproximar da área rival com certa frequência e criou boas oportunidades, mesmo em uma noite pouco inspirada dos pontas Artur e Matheus Martins. Ainda assim, o problema de finalização persistiu. O time voltou a falhar no último passe e teve dificuldade de converter as jogadas criadas em gols, um padrão que vem se repetindo ao longo da temporada.

Renato Paiva demonstrou estar ciente de onde Savarino rende mais, mas reforçou que precisa administrar o elenco por conta de lesões e desgaste físico. O venezuelano, inclusive, já havia ficado fora de jogos recentes por problemas físicos. Com ele centralizado, o time parece ganhar mais fluidez, mas a dependência de seu desempenho evidencia a falta de alternativas de criação no grupo atual.

Se por um lado o ataque mostra evolução, por outro a defesa vive um momento preocupante. Contra o São Paulo, os dois gols sofridos vieram após falhas claras de posicionamento e cobertura. No primeiro, Ferreirinha apareceu completamente livre após um rebote mal afastado de escanteio, sem qualquer marcação por perto. No segundo, três jogadores do Botafogo foram em cima do próprio Ferreirinha, permitindo que André Silva recebesse livre dentro da área para ampliar. São erros que indicam não apenas desatenção, mas falta de organização coletiva no momento defensivo.

A atuação gerou desconforto na arquibancada. Quando Renato tirou Gregore para colocar Patrick de Paula, parte da torcida não perdoou e gritou “burro”, coro que voltou a aparecer em outros momentos da partida. Mesmo com o empate arrancado nos minutos finais por Igor Jesus — que vive boa fase e voltou a marcar —, as vaias ao apito final mostraram a insatisfação com a falta de consistência da equipe.

O empate contra um São Paulo bastante desfalcado e que teve praticamente apenas Ferreirinha como válvula de escape ofensiva deixou um gosto amargo. O Botafogo, que iniciou a rodada com quatro pontos, permanece no meio da tabela e agora busca uma vitória contra o Fortaleza no próximo domingo, novamente no Nilton Santos. Renato Paiva terá pouco tempo para ajustar o que não funcionou — e precisa mostrar mais do que lampejos. A pressão da torcida já começou a aumentar, e o recado é claro: o torcedor alvinegro quer futebol eficiente, não só promissor.

Mayara Pirasol
Setorista Botafogo e NBA

Deixe um comentário

Top