
Mostrando que o esporte não tem idade, um grupo de mulheres com mais de 70 anos embarcaram essa semana em busca de um sonho, conquistar o Mundial de Canoa Havaiana na categoria 70+, que acontece em Samoa, na Polinésia.
Para que esse sonho fosse possível, a caminhada foi de muita luta e determinação, já que não havia patrocínio. O valor necessário para os custos da viagem e da competição seria por volta de R$120.000,00, um valor alto, portanto, difícil. Mas desafio nunca foi problema para essas mulheres guerreiras e elas enfrentariam mais esse para ir em busca de seus objetivos. Tiveram a ideia de fazer uma vaquinha online para tentar arrecadar a quantia, mas só conseguiram 10% do valor. Apesar disso, elas não desistiram e juntaram suas economias para investir no sonho.
A conquista para a vaga surgiu com a vitória no Campeonato Brasileiro, onde conseguiram o ouro e com ele a classificação para o Mundial e para o Pan-americano. As atletas irão competir e representar o Brasil e a Região dos Lagos. A cerimônia de abertura será neste sábado, dia 12 de agosto, e a prova Master 70, na qual irão competir, será na próxima terça-feira, dia 15.
História e Conquistas

A equipe é formada por seis atletas na categoria 70+, sendo residentes de Cabo Frio e Araruama/RJ. A trajetória dessas mulheres em equipe no remo tem pouco tempo, mas muita garra. Algumas já remavam individualmente há mais de 10 anos e a paixão pelo esporte as uniu. Elas treinam pelo menos três vezes na semana e remar virou um hábito constante: “Precisamos do remo para viver e ser feliz”, dizem com um sorriso no rosto e muito orgulho no coração. Nos últimos cinco anos, conquistaram algumas medalhas e viram seus esforços serem recompensados.

Para as remadoras, a canoa tornou-se uma paixão, que faz a convivência e a amizade muito salutar. No ano passado, Cláudia formou a equipe Master feminina 70 +, que conquistou em São Sebastião / SP, no Campeonato Brasileiro, o ouro com a canoa V6 (6 remadoras) pelo Clube de Canoagem e VA’A. Neste mesmo local, a instrutora, formadora de campeões e também atleta Eva Rosa acolheu, acreditou e deu total apoio a essa equipe de excelência. Eva possui vários títulos, incluindo Estadual, Brasileiro, Pan-americano entre outros. Desse modo, se classificaram para competir em novembro de 2022 no Campeonato Pan-americano, realizado no Chile, e ganharam também em primeiro lugar.
Quem são elas, afinal?

Claudia Sá – Treinadora
É unânime entre elas que sem o empenho e a dedicação da treinadora e campeã Brasileira e Pan-americana, a equipe não teria conseguido e nem começado. “Devemos a ela todo o nosso desempenho e determinação. Ela que acreditou na gente e nos treinou com afinco e dedicação sem qualquer ônus. Claudia Sá faz parte da nossa equipe e precisamos dela conosco para conseguirmos essa vitória”, comentam.
Cláudia possui um um currículo invejável no desempenho da Canoa Havaiana, acumulando inúmeros títulos em mais de 15 anos de competições. Em 2005, a mesma iniciou em Cabo Frio/RJ a sua escola de Canoa Havaiana, formando vários remadores e fazendo equipes vitoriosas.

Carmen Santos – Remadora
Carmen tem 72 anos, é gaúcha de Santa Cruz do Sul e há um ano e meio foi morar em Cabo Frio, onde começou a canoagem com a escola de Claudia.
“Sempre procurei praticar algum exercício durante toda a vida, hidroginástica, natação, ginástica localizada, Pilates e vim morar num lugar mais central do país para fugir do frio. Hoje me realizo com a pratica da canoagem”, disse a atleta.

Eliane Camargo – Remadora
Eliane, de 73 anos, entrou para a escola de Canoagem Havaiana há 1 ano 2 meses, tendo como instrutora a atleta Eva Rosa em Araruama, com quem treina duas vezes na semana e, devido aos campeonatos, também treina aos sábados em Cabo Frio com Claudia.
“Conheci e comecei a treinar com essa equipe maravilhosa e juntas conquistamos ouro no Campeonato Brasileiro e logo depois no Pan-americano. Com essa equipe de mulheres maduras comecei a amar ainda mais a canoagem, ver que com dedicação e foco podemos conseguir alcançar sonhos e que a idade é apenas um número”, disse.

Elizabeth Peralta – Remadora
Elizabeth tem 76 anos e começou a remar em 2017, com Claudia, que sempre a incentivou muito.
“Além dos treinos semanais com o grupo 70+, faço três aulas semanais com a Claudinha, além de aulas de musculação que são bastante importantes para o desempenho deste esporte. Por não termos patrocínio a questão das viagens fica complicada, principalmente as internacionais”, disse.

Julieta S. Vianna – Remadora
Aos 70 anos, começou a remar em 2014, sempre foi desportista mas com a canoa se transformou em atleta idosa e medalhista.
“Foi uma paixão e Claudia Sá foi responsável pela minha trajetória. Competi no Mundial do Tahiti em 2018 de V1. E conseguimos a vaga para o Mundial do Havai em 2020, que não ocorreu por causa da pandemia. Nos últimos 5 anos, participei de diversas competições no Estadual e Brasileiro de V1 e V6, com várias vitórias. Treino todos os dias e amo estar no mar.”, disse.

Maria Amélia – Remadora
Com a mudança do Rio para Cabo Frio e a chegada da pandemia de Covid, Maria Amélia, de 73 anos, resolveu buscar um esporte ao ar livre, pois não sabia viver sem se exercitar. Então, em novembro de 2020, resolveu participar, em um grupo, de um passeio de Canoa Havaiana e simplesmente amou remar.
“Me matriculei na Ohana Lokomaikaii e comecei a treinar. Virei aluna assídua e participante de competições na Região dos Lagos . Esse ano, atendendo ao convite feito pela Claudia Sá e com a concordância das demais atletas do time, ingressei na Equipe 70+”, disse.

Maria de Lourdes Accioly – Remadora
Maria de Lourdes tem 73 anos e vem treinando Canoa Havaiana há 9 anos.
“Foi muito bom quando abriram essa categoria 70+, pois eu já não tinha com quem competir. Já estava tendo que competir com remadoras muito mais jovens, o que dificultava enormemente devido ao peso da idade. Importante dizer que após a formação da equipe, logo vieram os títulos em todos os campeonatos que participamos. Com isso tive um estimulo maior para o treino, com a visão de que a idade não nos define”, disse.