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Botafogo cai na Libertadores: eliminação expõe falhas em campo e desordem fora dele

Foto: Vitor Silva / Botafogo

O Botafogo se despediu da Copa Libertadores nas oitavas de final de maneira melancólica. A derrota por 2 a 0 para a LDU, em Quito, foi mais do que um simples revés esportivo: expôs as fragilidades de um time mal preparado para a altitude, mal armado em campo e mal conduzido fora dele. O sonho do bicampeonato continental acabou cedo e, pela forma como aconteceu, foi merecido.

A vitória por 1 a 0 no jogo de ida já parecia insuficiente, sobretudo diante do peso que a LDU tem em casa. E em Quito, a história desandou logo cedo. Aos seis minutos, Villamíl aproveitou falhas coletivas e abriu o placar, colocando o Botafogo em um buraco que só aumentaria ao longo da partida. A escolha de Davide Ancelotti por um meio-campo mais pesado, com Allan, Marlon Freitas e Danilo, não deu resultado. O time errou na saída de bola, rifou passes sem precisão e jamais conseguiu manter a posse. Sem Arthur Cabral em condições de jogar 90 minutos, o trio ofensivo com Artur, Matheus Martins e Savarino se mostrou inofensivo, incapaz de incomodar a defesa equatoriana. O segundo gol veio de forma cruel: após um escanteio mal marcado pela arbitragem, Marlon Freitas abriu o braço na área e cometeu pênalti. Azulgaray converteu e selou a eliminação. Nem mesmo a expulsão de Richard Mina, já no fim, mudou a história, porque ao Botafogo faltaram ideias, confiança e, principalmente, eficiência.

O fracasso em Quito, porém, não pode ser explicado apenas pelo que aconteceu em campo. O bastidor ajuda a compreender por que o clube chega a esse ponto. John Textor insistiu na ideia de que a temporada só começaria em abril, enquanto os rivais se estruturavam. Depois da saída de Artur Jorge, foram quase dois meses de indefinição até a chegada de Renato Paiva, que, quatro meses depois, seria dispensado mesmo após uma vitória histórica sobre o PSG. A justificativa foi de que não se encaixava no vago “Botafogo Way”. A escolha de Davide Ancelotti foi veloz, mas também fruto do improviso. Mais uma vez, o clube trocou de técnico com o carro em movimento, e o preço foi pago na hora decisiva. Soma-se a isso um mercado pouco eficiente, com reforços caros e de baixo retorno, como Rwan Cruz, contratado por quase R$50 milhões para marcar apenas dois gols antes de ser emprestado.

A eliminação escancara um Botafogo que sonha grande, mas insiste em tropeçar nos próprios erros. Faltam convicção e planejamento, sobra a sensação de improviso constante. Agora, resta a Copa do Brasil como último grande objetivo da temporada, já que no Brasileirão a diferença para o Flamengo é praticamente inalcançável. O confronto com o Vasco, pelas quartas de final, será uma oportunidade de mostrar que ainda há capacidade de reação.

Mayara Pirasol
Setorista Botafogo e NBA

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