
O empate por 1 a 1 entre Botafogo e Corinthians, no Nilton Santos, escancarou dois problemas que começam a se repetir perigosamente no time de Davide Ancelotti: a falta de contundência no ataque e a limitação do elenco. O time carioca dominou o primeiro tempo com autoridade, talvez a melhor atuação em 45 minutos nesta temporada, mas foi incapaz de transformar superioridade em placar. Pagou caro na etapa final, quando o Corinthians reagiu com força e levou o ponto.
O gol de Arthur Cabral coroou uma blitz alvinegra: posse de bola superior a 80%, construção variada, triangulações, jogadas ensaiadas, bolas longas e presença constante no campo ofensivo. O Corinthians, que entrou com um time misto, limitou-se a se defender, e com sorte saiu para o intervalo perdendo apenas por 1 a 0.
No entanto, o jogo virou rapidamente. Dorival Júnior corrigiu sua escalação no intervalo e colocou quatro titulares de impacto. Em contrapartida, Ancelotti não teve resposta, e nem peças, para equilibrar a partida. A intensidade caiu, o meio-campo ficou vulnerável e a linha ofensiva sumiu. A falta de reposição à altura ficou escancarada, especialmente nas ausências de Marlon Freitas, Artur e Danilo.
O Botafogo vive hoje um paradoxo: tem um plano de jogo bem definido, mas altamente dependente de um 11 ideal. Sem banco, as ideias não se sustentam quando o físico cai ou o adversário se ajusta. O segundo tempo contra o Corinthians foi um espelho do que aconteceu contra o Vitória: domínio inicial, desperdício de chances e queda brusca de rendimento. A diferença foi que desta vez a punição veio com o gol de Memphis, aos 38 da etapa final.
Savarino e Santiago Rodríguez, principais esperanças criativas saindo do banco, não ofereceram soluções. Cabral, isolado e exausto, precisou recuar para participar, comprometendo sua função principal. O resultado final deixa uma lição clara: volume ofensivo não é sinônimo de resultado, e elenco curto cobra seu preço.