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Botafogo tropeça novamente e acende alerta

Foto: Fernando Moreno / AGIF

A derrota do Botafogo para o Atlético-MG por 1 a 0, neste domingo, no Mineirão, ampliou a sequência negativa do clube no Campeonato Brasileiro, agora com três jogos sem vencer. O reencontro entre os finalistas da última Libertadores serviu menos como celebração de um passado recente e mais como lembrete de uma realidade atual preocupante para os botafoguenses. Com atuações apáticas, escolhas contestáveis de Renato Paiva e uma crescente dificuldade em reagir nos jogos, o Glorioso parece cada vez mais distante do brilho que o levou à conquista continental.

Diante do Galo, o time carioca teve momentos pontuais de lucidez ofensiva, como no lance de Artur, que obrigou Everson a uma defesa difícil. Mas a falta de repertório na criação de jogadas e os problemas recorrentes na defesa pesaram novamente. O gol do Atlético surgiu após erro de marcação em escanteio — Cuello aproveitou o vacilo coletivo e cabeceou livre, sem resistência de Gregore ou reação de John. A falha não foi isolada, mas parte de um padrão que vem se repetindo rodada após rodada.

A expulsão de David Ricardo aos 15 do segundo tempo — em sua primeira partida sob comando de Paiva — foi o ponto de virada definitivo. Com um a menos, o Botafogo perdeu ainda mais consistência e passou a ser dominado com tranquilidade pelo adversário. O detalhe da expulsão, originada de uma falta em Hulk após erro de posicionamento, reforça como a equipe ainda está longe de ser segura defensivamente, mesmo com peças novas no elenco.

Esse ponto, aliás, expôs mais uma vez a desorganização na gestão das substituições. Apesar de estar atrás no placar e com um homem a menos, Paiva optou por colocar jogadores como Alex Telles, Danilo Barbosa e Mateo Ponte. Reforços badalados como Rwan Cruz, Elias Manoel e Mastriani sequer deixaram o banco, o que gerou questionamentos não apenas entre torcedores, mas também na coletiva pós-jogo.

O técnico português respondeu com firmeza, afirmando que escalações não se baseiam em cifras, mas na meritocracia e nas avaliações internas do clube. “Não coloco jogadores porque custam 50 milhões”, disse. A declaração, embora defensável, parece desconectada da expectativa de maior efetividade com os novos nomes, principalmente quando o time demonstra clara dificuldade para reagir ofensivamente e alternativas de qualidade estão disponíveis.

Fora de campo, a insatisfação começa a se acumular. Mesmo com a empolgação da torcida por lembrar a glória na final da Libertadores em Buenos Aires, a sensação no presente é de um time desorganizado, sem padrão claro de jogo, e em início de crise técnica. O efeito Paiva, que ainda tenta dar identidade à equipe após meses desperdiçados com interinos, não surte o impacto esperado — e o tempo começa a cobrar respostas mais urgentes.

Com o clássico contra o Fluminense no horizonte e o duelo contra o Estudiantes pela Libertadores na próxima quarta, o Botafogo precisa mostrar mais do que lampejos individuais. Precisa reencontrar consistência tática, eficiência ofensiva e, acima de tudo, coragem para encarar as próprias fragilidades. Porque, no ritmo atual, o título da América vai ficando cada vez mais no retrovisor.

Mayara Pirasol
Setorista Botafogo e NBA

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