
O mercado de transferências do futebol feminino mundial vem recentemente quebrando recordes, refletindo o crescimento e a valorização da modalidade. Os clubes estão cada vez mais investindo em suas equipes femininas, o que tem levado a contratações históricas, sejam de jogadoras já experientes como também jovens promissoras em ascensão, com valores que já representam avanços significativos. Em um intervalo de poucos anos, os valores pagos por atletas, começaram a atingir cifras milionárias.
Um dos exemplos atuais dessa virada de chave é a mexicana Lizbeth Ovalle, de 25 anos, negociada na última quinta-feira (21) pelo Tigres com o Orlando Pride, dos Estados Unidos, por US$ 1,5 milhão (R$ 8,2 milhões) — a maior quantia já paga por uma jogadora na história da modalidade. A transferência não apenas consolidou o Orlando como protagonista no cenário global, mas também redefiniu o patamar do mercado. Pouco antes, a jovem canadense Olivia Smith, de apenas 20 anos, já havia chamado atenção ao ser contratada pelo Arsenal junto ao Liverpool por US$ 1,34 milhão (R$ 7,3 milhões), quebrando um recorde que durou menos de dois meses. Ambas ultrapassam marcas anteriormente estabelecidas por nomes como a americana Naomi Girma (Chelsea – US$ 1,1 milhão), a colombiana Mayara Ramírez (Chelsea – US$ 488.610) e a zambiana Rachel Kundananji (Bay FC – US$ 787.600), todas transferidas entre 2024 e 2025, apresentando um crescimento acelerado e contínuo do mercado de transferências no futebol feminino.

Apesar das transferências recentes acontecerem no eixo europeu e norte-americano, a movimentação no entanto não se limita a somente esses dois continentes. No Brasil, por exemplo, em setembro de 2024, a atacante Priscila, revelada pelo Internacional, foi vendida ao América do México por R$2,8 milhões, considerada a maior negociação do futebol feminino no Brasil. Antes disso, a zagueira Tarciane, ex-Corinthians, também foi vendida pelo valor de R$2,5 milhões para o clube americano Houston Dash – atualmente, a jogadora está no clube francês Lyon -. Na lista de países que mais ganharam com vendas, o Brasil aparece em quarto lugar junto da França com US$1,4 milhões.
Além dos altos valores, o que também se destaca é o surgimento de projetos consistentes em clubes que buscam crescer com identidade própria e visão de futuro. É o caso do FC Como Women, da Itália, que ganhou os holofotes ao contratar a atacante Alisha Lehmann, ex-Juventus. Mesmo sem disputar competições europeias e vindo de uma campanha modesta na Serie A, o clube ofereceu à atleta um projeto independente, voltado exclusivamente ao futebol feminino, sob gestão do fundo Mercury13. A proposta, centrada em protagonismo e desenvolvimento a longo prazo, foi suficiente para convencer Lehmann a abraçar o desafio e se juntar a equipe neste ano.
Enquanto isso, a própria Juventus Women, uma das referências da Serie A, segue reforçando seu elenco com movimentações visando a nova temporada. A equipe bianconera trouxe nomes como Tatiana Pinto, além de promover jogadoras da base, como a jovem Elisa Bertero. Ainda que não sejam transferências recordes, são demonstrações claras de que o investimento no futebol feminino se espalha mundialmente.
O futebol feminino vive, enfim, uma nova fase, tendo mais visibilidade, sendo mais competitivo e mais valorizado. As últimas janelas de transferências demonstram que há disposição, estrutura e dinheiro sendo aplicados com mais estabilidade.