
O Mirassol escreveu mais um capítulo histórico em seu ano de estreia na elite do futebol brasileiro. Com atuação madura e eficiência cirúrgica, o time paulista venceu o Vasco por 2 a 0 em São Januário, garantiu-se matematicamente no G-4 e conquistou vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2026. O Vasco, por sua vez, acumulou sua sexta derrota nos últimos sete jogos e estacionou nos 45 pontos. A pressão da torcida aumentou, com críticas diretas ao técnico Fernando Diniz.
A forte chuva que atingiu São Januário antes da partida deixou o gramado pesado, com poças que atrapalharam o ritmo dos dois times. O Mirassol se mostrou mais confortável nos minutos iniciais, pressionando a saída vascaína e quase aproveitando uma indecisão de Léo Jardim, que demorou a afastar a bola dentro da pequena área.
O Vasco cresceu depois dos 15 minutos e teve a melhor chance do primeiro tempo: Rayan recebeu após disputa de Coutinho e chutou firme no canto, obrigando Walter a fazer uma grande defesa. O Mirassol respondeu com duas chegadas de Renato Marques, ambas defendidas por Jardim. A partida ficou picotada por faltas e erros de passe, e o placar não se mexeu antes do intervalo.
O Vasco voltou dos vestiários com intensidade e empilhou oportunidades. Andrés Gómez finalizou com perigo, Rayan errou de cabeça após passe de Coutinho, e Paulo Henrique obrigou Walter a fazer uma defesa vital com a ponta dos dedos.
Mas aos 18 minutos veio um dos momentos mais preocupantes da noite: Lucas Piton, um dos melhores do time na temporada, sofreu uma lesão no joelho esquerdo ao dividir com Guilherme. O lateral imediatamente pediu substituição e deixou o gramado chorando, sendo substituído por Puma Rodríguez. A baixa mexeu emocionalmente e taticamente com o time. E a punição veio pouco depois.
Aos 24 minutos, em contra-ataque pelo lado esquerdo, justamente o setor onde Piton atuava, Carlos Eduardo encontrou Renato Marques entrando livre na área. O atacante bateu colocado no canto de Léo Jardim e abriu o placar. A partir daí, o Vasco se lançou ao ataque. Vegetti ajeitou de cabeça e David, já nos minutos finais, desperdiçou a melhor chance ao chutar para fora, cara a cara.
Aos 46, com o time totalmente exposto, veio o golpe final: Cristian acelerou pelo meio, encontrou Carlos Eduardo nas costas de Robert Renan, e o atacante driblou Léo Jardim antes de empurrar para o gol vazio: 2 a 0. O segundo gol gerou protestos imediatos. Copos foram arremessados no gramado, e gritos contra Fernando Diniz ecoaram nas arquibancadas.
Na coletiva, Diniz discordou da crítica geral ao desempenho do time e afirmou que o Vasco fez um “bom jogo”:
“Não fizemos um jogo ruim, muito pelo contrário. Fizemos um jogo muito bom contra um adversário que é muito forte. Os números nos favoreceram, mas faltou transformar superioridade em gol.”
Sobre o gol sofrido, Diniz foi direto ao apontar falhas de posicionamento:
“O primeiro gol decidiu o jogo. Estávamos mal posicionados atrás. O Paulo Henrique estava aberto demais. Se a linha estivesse como deveria, o cruzamento não teria passado.”
Ele também comentou sobre o momento psicológico e as derrotas recentes:
“É difícil explicar. Em muitos jogos, como hoje, o time jogou bem e não mereceu perder. Mas precisamos vencer, principalmente em São Januário.”
Com o resultado o Vasco ocupa o 12º lugar, com 45 pontos, sem chances de rebaixamento devido a rodada favorável ao Cruz-Maltino. E encara o Atlético-MG, na última rodada fora de casa, na Arena MRV. Já o Mirassol ocupa a 4º posição, com 66 pontos, e a vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2026 garantida. E vai enfrentar o Flamengo na última rodada, em casa, no Maião, onde segue invicto na competição.