Muitas vezes, os desafios para as mulheres que convivem no mundo dos esportes começam cedo. Desde os pais, em casa, que às vezes não apoiam ou não entendem o fato de a filha escolher um esporte, como futebol ou luta, aos amiguinhos que fazem piadas ou as excluem das partidas somente por um motivo: por serem meninas.

No caso da Julia Costa, de 10 anos, que joga futebol desde os 6, o preconceito, e até assédio, dos meninos começou há um ano. “Depois de uma festa com pessoas da idade dela, ela me contou que não jogou futebol porque um menino falou pra ela que, como era menina, só podia jogar se desse um beijo nele. Eu, que sempre defendi o direito da minha filha ser o que ela quiser, fiquei, além de revoltada, chocada com a maldade que já foi embutida na cabeça de meninos dessa idade” conta a mãe Bianca Marins.

Já a Laryssa Carriço, de 11 anos, conta que a própria escola trata os dois gêneros de maneira diferente. “Os meninos ganharam uma quadra nova para jogar futebol e as meninas têm que usar a antiga”. Ela diz que também já foi chamada de ‘mulherzinha’ por um menino da idade dela, com quem ia competir em um campeonato de judô. “Ele disse que era um esporte de ‘macho’. Na hora eu fiquei quieta e no final eu ganhei dele”, conta.
Desde cedo, elas têm que enfrentar muitas barreiras para fazer o que gostam ou até mesmo para se divertir. E, consequentemente, o número de mulheres nos esportes, principalmente nesses considerados ‘masculinos’, se torna menor, além da falta de investimentos e incentivos.
No caso da Kalei Plocki, de 15 anos, ela percebe que o número de meninos nas aulas e competições de judô é bem maior. Ela sempre teve incentivo da família e, desde os 7 anos, pratica o esporte. “Convivo desde pequena com muitos meninos, mas nunca fui tratada de forma diferente”.

Vamos torcer e continuar na luta para que a realidade da Kalei se multiplique pelo mundo dos esportes!