
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, na última quinta-feira (11), o Projeto de Lei que torna São Januário como de interesse histórico, cultural, desportivo e social para a cidade. O Projeto foi proposto pelo vereador Tarcísio Motta, historiador e vascaíno de coração, ao lado de Renato Cinco e Paulo Pinheiro.
A honraria recebida do legislativo municipal valorizará São Januário e não terá impacto no projeto de reforma do estádio, que já contempla a preservação da fachada histórica. O clube tem como objetivo remodelar o complexo e deixá-lo pronto até 2023. E, vale ressaltar, que não se trata de um tombamento histórico, mas sim do reconhecimento do estádio para o esporte brasileiro e a sociedade carioca.
Os dirigentes do clube ficaram bastante orgulhosos com a notícia e veem o título adquirido como uma possibilidade de dar mais visibilidade ao Caldeirão e, consequentemente, potencializar o Tour da Colina, programa de visitação ao local. Carlos Roberto Osório, vice-presidente do clube, celebrou a novidade:
– Para o Vasco e para os vascaínos, é uma honra ter esse reconhecimento do legislativo. Traz o reconhecimento justo para esse estádio histórico para o Rio e para o Brasil. E valoriza o nosso estádio. – disse Carlos Roberto.
Um pouco da história de São Januário

Para o Projeto de Lei entrar em vigor, os vereadores se apoiaram na história da construção do estádio, inaugurado em 1927. Sua construção deveu-se à perseguição que o clube sofreu após ser campeão carioca em 1923, com uma equipe formada por atletas negros, mestiços e de origem humilde. Para blindar motivações racistas e elitistas, dirigentes que defendiam a exclusão do Vasco do campeonato, alegaram que para disputar a competição, havia a necessidade de um estádio próprio. A partir disso, nasceu uma histórica campanha de arrecadação movida por milhares de associados e torcedores, que com suas próprias mãos ergueram no bairro de São Cristóvão, o maior estádio das Américas, na época.
São Januário é considerado um dos locais mais importantes do esporte brasileiro, cuja a importância transcende a parte esportiva, tendo em vista toda a história do clube na luta contra o racismo e todas as manifestações sociais ocorridas no histórico estádio. Nas décadas de 30 e 40, o então Presidente da República Getúlio Vargas, costumava arrastar multidões para seus comícios no estádio. Além disso, em 1945 a Colina Histórica recebeu o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, vencido naquele ano pela Portela.
Com todas essas manifestações e marcos históricos, podemos perceber que o estádio, de fato, merece tal honraria e, não à toa, é chamada de Colina Histórica! Parabéns ao clube por esse merecido reconhecimento!