
Por Natália Gonçalves e Beatriz Lima
As mulheres estão nas arquibancadas, nos campos, nas quadras, na arbitragem, no jornalismo, nos bastidores, em todas as áreas do esporte. Através da história de duas mulheres potentes que trabalham com o futebol, vamos reconhecer o protagonismo feminino dentro e fora de campo. De um lado, Juliana Pacheco, a primeira atleta feminina a assinar contrato com o Vasco da Gama. Do outro, Natália Tristão, jornalista formada, que atualmente trabalha nos canais Sportv e Onefootball. Sonhos, conquistas e memórias fazem parte da trajetória das meninas, que concederam entrevista para o Damas do Esporte e contaram um pouco sobre sua paixão pelo futebol.
“Ganhar títulos é bom demais” – Juliana
Juliana Pacheco da Silva tem 23 anos e é atleta do Vasco da Gama. Em 11 de fevereiro de 2022, a jogadora assinou contrato profissional com o clube, fato considerado por ela sua maior conquista até o momento. Pela primeira vez em mais de 20 anos o futebol feminino do Vasco assinou contratos profissionais.
A história de Juliana com o futebol começou desde criança, ela acompanhava o seu avô Euclides e o padrasto Marcos Vinicius quando iam para os campos jogar bola. A partir daí, Juliana se apaixonou pelo esporte e logo aos 10 anos entrou na sua primeira escolinha, próxima a casa da atleta, chamada “Segundo Tempo”. Não demorou muito para ela se destacar entre todos e o professor a indicou para um outro projeto, onde tinha um time feminino, o Projeto Gerson. Aproximadamente em novembro de 2013, o professor João, que ficava a frente do time feminino, levou a equipe para um amistoso contra o Vasco, os olheiros do time da colina gostaram da atleta de 13 anos e a convidaram para fazer parte do clube, onde está há quase 11 anos.

Para a volante, cuidar da saúde é a melhor parte de ser uma atleta e toda a dedicação tem gerado bons resultados em campo. A comprovação é evidente com tantos títulos conquistados, entre eles, o Torneio Rio-São Paulo Fut 7 (2022), Brasileirão da Baixada (2018), Campeonato Estadual (2014) e muito mais. Quando questionada sobre os títulos da carreira, Juliana não hesita: “Ganhar títulos é bom demais. Desde o primeiro, a sensação é única e inexplicável”. Assim como a sensação de ganhar títulos é indescritível, Juliana fala que um dos dias mais felizes de sua carreira foi a convocação para as seleções de base sub 15 e 17 e que o seu maior sonho profissional é “conseguir chegar na seleção principal”.
A jogadora também não hesita em falar que um dos maiores desafios é “conseguir viver só do futebol”, que infelizmente ainda não tem o reconhecimento e a popularidade que deveriam ter no Brasil. Umas das jogadoras responsáveis por evidenciar o futebol feminino no mundo é justamente sua maior referência e inspiração, a jogadora Marta, com quem Juliana já teve a honra de conversar pessoalmente.
Assim como Marta é uma referência para ela, muitas meninas também podem se espelhar na trajetória de Juliana Pacheco. Com pouca idade e muita experiência, o conselho final da jovem serve para que novos nomes surjam nesse cenário: “Tenham foco e comprometimento, porque não é fácil e precisamos estar preparadas para o dia a dia”. Mais do que as palavras de Juliana, sua história é um incentivo para tantas meninas que sonham em viver do futebol.
“O esporte me escolheu” – Natália
A jornalista Natália Tristão, 24 anos, trabalha com as redes sociais dos canais Sportv e Onefootball, com foco em notícias e curadoria de vídeos virais para o TikTok, respectivamente. Ela se formou em 2022, mas sua história com os esportes começou desde os 4 anos de idade. A jovem já praticou várias modalidades, entre eles natação, jiujitsu, handebol e vôlei. Ela brinca que se considera uma atleta frustrada: “Tentei de tudo, e na natação e no jiu-jitsu foi onde me destaquei, cheguei a ser federada e conquistar títulos”.
Por mais que os esportes já estivessem ligados à vida de Natália, ela não tinha pensado na possibilidade de escolher o jornalismo esportivo como profissão, o que ela queria mesmo era cursar Química, mas na hora de fazer a inscrição no SISU ela afirma que alguma coisa tocou seu coração e decidiu mudar.
Natália se inscreveu e ingressou no curso de jornalismo e, segundo a jovem, sua família e amigos a apoiaram muito nesta decisão, e conta com esse apoio até hoje. Depois que ingressou na faculdade, ela teve sua primeira oportunidade logo no segundo período, quando participou do processo seletivo para a Fox Sports, onde ficou por três anos. No primeiro ano, atuou como Jovem Aprendiz e no fim deste período, participou de um processo interno e conquistou a vaga de estagiária, onde permaneceu por mais dois anos na empresa.
“Eu não tinha muitas expectativas, porque eu sei como o meio ainda é machista e mulheres precisam se esforçar para conquistar espaços. Nesse sentido, as minhas expectativas foram quebradas, porque, ao contrário do que eu imaginava, só passei por lugares acolhedores e que me deram oportunidade de exercer meu trabalho com respeito.” – disse Natália sobre suas expectativas de trabalhar no meio jornalístico.

Atualmente, para ela, o maior desafio da sua profissão é estar sempre disponível, pois a notícia não tem hora para acontecer. Já a melhor parte, é ver que o seu trabalho ajuda a levar informação para milhares de pessoas no dia a dia, assim como faz Renata Mendonça, sua maior referência na área, que criou o projeto independente “Dibradoras” com o objetivo de inserir a mulher no futebol. Hoje, além do projeto, Renata faz parte da bancada de programas de TV do Sportv. “Ela é a minha referência porque desde sempre luta pela inserção da mulher no esporte e pela visibilidade dos esportes femininos.”, elogiou Natália.
O jornalismo e o esporte renderam para Natália boas recordações, como a entrevista com a jogadora Sissi do Amor, considerada por ela, a maior e mais importante da história do futebol feminino nacional, e a cobertura de duas Copas do Mundo, em diferentes canais esportivos (Fox Sports, 2018, e Sportv e OneFootbal, 2019). E mais momentos bons ainda estão por vir. Agora, Natália quer alçar voos mais longos, e sonha em cobrir uma Copa do Mundo, masculina ou feminina, in loco.
Toda a jornada da jovem jornalista mostra que ela fez a escolha certa, e que a sua química com o esporte e o jornalismo era inevitável. “A área do esporte que me escolheu, na verdade. Eu sempre fui apaixonada por esportes, e não consigo me ver trabalhando com outra coisa além do que eu amo”, finalizou.
Nesta reportagem especial, em alusão ao Mês da Mulher, conhecemos mulheres fortes e empoderadas que, através de caminhos distintos, fazem história no futebol, seja com a bola no pé ou com o microfone na mão. Assim, elas representam tantas outras que têm em comum o amor pelo esporte.