Pela primeira vez na história, a Superliga Feminina de Vôlei não teve um time vencedor. A pandemia de COVID-19 forçou o encerramento da competição antes da definição do campeão, marcando um momento único para o esporte brasileiro

A Superliga Feminina de Vôlei da temporada 2019/2020 entrou para a história de uma maneira inusitada: pela primeira vez, a competição foi encerrada sem a definição de um time campeão. A decisão foi tomada em reunião virtual no dia 19 de março de 2020 entre os clubes participantes e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), devido à pandemia da COVID-19.
Com a competição suspensa desde o dia 14 de março, logo após o primeiro jogo das quartas de final, os dirigentes das equipes optaram por não retomar os jogos. A principal razão foi a dificuldade financeira de manter os elencos sob contrato por meses sem previsão de retorno. Assim, por ampla maioria de votos, decidiu-se pelo encerramento do torneio. Em seguida, em nova votação, foi determinado que não haveria uma equipe campeã.
O Dentil/Praia Clube (MG), que terminou a fase classificatória em primeiro lugar, poderia ter sido declarado vencedor. No entanto, ficou definido que, para fins estatísticos e de classificação para competições continentais, valeria apenas a posição final da primeira fase, sem a entrega do título oficial.
Enquanto no feminino a decisão foi tomada de forma definitiva, no masculino os clubes decidiram aguardar mais 30 dias antes de qualquer definição, contrariando a vontade dos atletas, que preferiam o encerramento imediato. A CBV justificou a medida alegando que a suspensão visava o bem-estar de todos os envolvidos na competição.

Essa decisão histórica levantou discussões sobre o impacto financeiro e esportivo da pandemia em diversas modalidades. Afinal, nunca antes a Superliga havia tido uma temporada sem campeão. O cenário gerou debates sobre como lidar com situações semelhantes no futuro e ressaltou a fragilidade dos contratos e orçamentos das equipes diante de crises inesperadas.
O episódio também reforçou a necessidade de adaptação no esporte, tanto em termos organizacionais quanto financeiros. Com incertezas sobre a retomada das atividades, os clubes precisaram rever suas estratégias, desde a manutenção de seus elencos até a busca por novas formas de financiamento. A pandemia deixou marcas profundas no vôlei brasileiro e no mundo esportivo, evidenciando a importância de medidas preventivas para evitar novos impactos drásticos no futuro.