Árbitro admite contato de zagueiro do São Paulo dentro da área, VAR concorda com avaliação de campo e lance gera revolta rubro-negra

A derrota do Flamengo por 2 a 1 para o São Paulo, na noite desta quarta-feira (28), pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, foi marcada por um lance polêmico que rapidamente ganhou repercussão nacional. O árbitro Wilton Pereira Sampaio reconheceu que houve toque do zagueiro Alan Franco em Giorgian De Arrascaeta dentro da área, mas considerou que o contato não foi suficiente para caracterizar pênalti, decisão que gerou forte indignação no banco rubro-negro e entre os jogadores em campo.
O episódio aconteceu nos acréscimos da partida e acabou se tornando o ponto central das reclamações do Flamengo após o apito final. A comissão técnica, atletas e torcedores demonstraram inconformismo, especialmente pelo reconhecimento explícito do contato, ainda assim desconsiderado pela arbitragem.
Leitura labial revela diálogo do árbitro
Após o jogo, uma leitura labial realizada pelo especialista Gustavo Machado revelou a conversa de Wilton Pereira Sampaio no momento do lance. Segundo a interpretação, o árbitro admite que houve toque do defensor são-paulino, mas minimiza o impacto sobre o camisa 10 rubro-negro.
Na leitura, Wilton afirma que o jogador do São Paulo encostou em Arrascaeta, porém entende que o contato não teve influência suficiente para derrubar o meia ou impedir a conclusão da jogada. A interpretação reforçou ainda mais a sensação de injustiça por parte do Flamengo, que esperava ao menos a revisão do lance no monitor.
Revolta em campo e expulsão de Jorginho
A decisão da arbitragem provocou reação imediata dos jogadores do Flamengo. O mais exaltado foi Jorginho, que se dirigiu de forma contundente ao árbitro após o lance. Inconformado, o meio-campista protestou de maneira veemente e acabou recebendo cartão vermelho.
De acordo com relatos, Jorginho classificou a situação como “vergonhosa” e desafiou a arbitragem a tomar providências disciplinares, o que culminou em sua expulsão. O episódio aumentou ainda mais a tensão nos minutos finais da partida e escancarou o clima de insatisfação do elenco rubro-negro.
Como foi o lance do possível pênalti
O lance ocorreu aos 51 minutos do segundo tempo. Após finalização de Gonzalo Plata, a bola sobrou limpa para Arrascaeta dentro da área. No momento em que o uruguaio se preparava para chutar, Alan Franco tocou na perna esquerda do meia, que acabou caindo no gramado.
Apesar de estar bem posicionado e próximo à jogada, Wilton Pereira Sampaio mandou o jogo seguir imediatamente. A expectativa do Flamengo era que o VAR recomendasse a revisão do lance, o que não aconteceu, aumentando a sensação de erro decisivo na partida.
CBF divulga áudio do VAR e mantém decisão
Diante da grande repercussão do lance, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou o áudio da cabine do VAR. O responsável pelo árbitro de vídeo, Rodrigo Alonso Ferreira, concordou com a decisão tomada em campo e não sugeriu revisão.
Na conversa, Wilton Pereira Sampaio argumenta que Arrascaeta consegue concluir o movimento do chute, mesmo após o contato, e que o defensor não interfere de forma decisiva na jogada. O VAR reforça essa interpretação ao afirmar que o uruguaio não teria sua passada alterada de maneira suficiente para justificar a penalidade máxima.
A divulgação do áudio, longe de encerrar a polêmica, ampliou o debate nas redes sociais e entre comentaristas, que se dividiram quanto ao critério adotado pela arbitragem.
Críticas recorrentes e debate sobre critérios
O lance reacendeu uma discussão antiga no futebol brasileiro: a falta de uniformidade nos critérios de arbitragem, especialmente em lances dentro da área. Para o Flamengo, o reconhecimento do toque deveria, no mínimo, ter levado à revisão no monitor, independentemente da decisão final.
Internamente, a avaliação é de que o clube foi prejudicado em um momento decisivo da partida, quando ainda buscava o empate. A diretoria rubro-negra evita discursos mais agressivos publicamente, mas entende que o episódio reforça a necessidade de maior transparência e padronização nas decisões do VAR.
Flamengo tenta virar a página
Apesar da frustração com a arbitragem, o Flamengo agora volta suas atenções para a decisão da Supercopa do Brasil. O Rubro-Negro enfrenta o Corinthians neste domingo (1º), às 16h, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
A comissão técnica trabalha para reorganizar o elenco após a expulsão de Jorginho e para evitar que a polêmica do Brasileirão afete o ambiente antes de uma final nacional. A expectativa é de resposta rápida em campo, tanto no desempenho quanto no resultado.
Enquanto isso, o lance envolvendo Arrascaeta segue sendo debatido como um dos episódios mais controversos do início do Campeonato Brasileiro, reforçando a pressão sobre a arbitragem logo nas primeiras rodadas da competição.