Atletas que representaram o país em Tokyo 2020 foram responsáveis por ressignificar o recente esporte olímpico aos olhares dos telespectadores brasileiros

Destaque entre as modalidades na última Olimpíada, o skate encantou os brasileiros, isso porque os skatistas Kelvin Hoefler, Rayssa Leal e Pedro Barros se destacaram em suas modalidades e subiram ao pódio, trazendo o total de três medalhas para a delegação do Brasil, gerando notoriedade pelo feito surpreendente. E, com os resultados das etapas do pré-olímpico, a delegação brasileira tem grandes chances de estar completa com seus 12 atletas, em Paris 2024.
O “boom” do esporte por meio das olimpíadas atraiu torcedores, novos praticantes e investimentos governamentais, com incentivos e construções de pistas ao redor do país.
Toda essa trajetória pode ser vista como uma grande conquista para a comunidade do skate, que não é apenas um esporte, uma vez que estilo de vida e contracultura também se relacionam.
Importado dos Estados Unidos para a realidade latino-americana
Nascido no país norte-americano na década de 50, o esporte entre rodas atravessou fronteiras, chegando no Brasil na década de 60. Entretanto, só atingiu destaque na década de 70, precisamente no estado do Rio de Janeiro, local destinado para a construção da primeira pista de skate na américa latina. Mais tarde e aos poucos, a prática foi se espalhando para os estados restantes.

Por ter características próprias (comportamento, vestimentas e forte ligação com o hip-hop), o skate também se relaciona aos movimentos de contracultura, tendo sofrido com a marginalização ao longo dos anos.
Mesmo sob estigmas, na década de 80, campeonatos começaram a ser realizados, e, nos anos 90, tivemos o primeiro campeão mundial brasileiro na categoria vertical, assim como também elegeram Robert Dean da Silva, vulgo Bob Burquist, o melhor skatista do mundo.

Recebendo mais atenção da mídia a partir dos anos 90, a Confederação Brasileira de Skate fora criada em 1999, oficializando a nível profissional e investindo em mais pistas pelo país. Com isso, vários atletas conquistaram títulos mundiais ao longo da década de 2000: Bob Burnquist (categoria vertical em 2000 e 2008) Carlos Andrade (categoria street em 2000); Rodil de Araújo Júnior (categoria street em 2002 e 2004); Sandro Dias (categoria vertical em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007) e Karen Jones (categoria vertical feminina em 2006).
O impacto da nova geração e a promissora popularização do esporte
É inegável que o skate ganha mais graus de popularidade no Brasil à medida que os dias vão se passando, seja pelas Olimpíadas ou pelo desempenho formidável de atletas, como é o caso de Rayssa Leal, grande símbolo dessa nova geração de skatistas do Brasil. Apelidada carinhosamente de “fadinha”, a jovem já mostrava suas credenciais em vídeos virais na internet quando criança e as mostrou também em Tokyo, quando, aos 13 anos, ganhou a medalha de prata na modalidade street, sendo assim a atleta brasileira mais jovem a subir no pódio. Desde lá, agora com 16 anos, coleciona outros campeonatos mundo afora, como o recente ouro na etapa do Pré-Olímpico da China e a classificação antecipada para os jogos Olímpicos de Paris.

Por sua postura e atitudes dentro e fora das pistas, Rayssa representa um esporte que, apesar de possuir manobras incríveis como seu principal chamariz, não se limita a apenas isso, pois, prega a busca pelo melhor de si mesmo a cada dia, o companheirismo com seus colegas de desporto – incluindo adversários -, e divertimento.
Tudo isso já basta para cativar pessoas e quebrar antigos preconceitos.