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O debate do Racismo no Futebol

Foto: Reprodução Instagram @jhenderson

Muitos dizem que não há lugar para racismo no futebol. E não há. Mas, mesmo em pleno 2019, parece inacreditável presenciar o quanto de gente ainda não evoluiu e não entendeu que todos são iguais, todos merecem respeito. Agora com a presença 24h de smartphones na rotina de cada pessoa, os registros de atos abomináveis de preconceito racial vêm à tona constantemente. E precisam ser levados mais em consideração por parte das autoridades.

O último caso lamentável, e de repercussão mundial, foi na partida entre Bulgária e Inglaterra, pelas eliminatórias da Euro 2020, que aconteceu na última segunda-feira (14). O jogo foi interrompido duas vezes por conta do comportamento de “torcedores” búlgaros que ofenderam não só o atacante inglês Raheem Sterling, mas também todos os torcedores do mundo. Cânticos racistas, nazistas e homofóbicos também marcaram a partida. Uma tristeza ver esse comportamento diante de um esporte tão transformador que é o futebol – obviamente que é uma conduta ímpia em qualquer esporte, em qualquer situação. E a notícia circulou o mundo. Foi trending no Twitter durante toda a segunda-feira.

Ontem (15) a FIFA se posicionou afirmando que fará mudanças e pretende punições a nível mundial. Pediu o apoio de autoridades governamentais e dos clubes para sanar essa “doença” – como definiu Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol. Lembrando que estamos em 2019, o que evidencia que pouco se fez para combater o racismo nos gramados.
Além de medidas tomadas pelas autoridades, que não estão fazendo sua parte, é importante o posicionamento. Tocar no assunto é importante não só para combater o racismo no futebol, mas também para um retrospecto na História. É uma volta ao passado, para mostrar que não é de hoje que o negro continua sendo alvo de preconceitos, sendo excluído e sofrendo do mesmo mal.

Durante os longos anos de escravidão, os negros foram proibidos de se expressarem e tiveram suas vozes caladas por “seres humanos” que se sentiam no privilégio por serem brancos. Tudo isso reflete muito no futebol hoje em dia, como bem colocou, durante coletiva, na última rodada do Campeonato Brasileiro, o técnico do Bahia (e ex-jogador) Roger Machado. Esse posicionamento é fundamental para o início do debate: “Não deveria chamar atenção e ter uma repercussão grande dois treinadores negros, que foram destaque como jogadores, estarem se enfrentando na área técnica. Para mim isso é a prova que existe um preconceito, à medida que a gente tem 50% da população negra e a proporcionalidade que se representa não é igual. A gente tem que se questionar: se não há preconceito no Brasil por que os negros tem um nível de escolaridade menor que os brancos, por que a população carcerária é 70% negra, por que quem mais morre são os jovens negros no Brasil…” comentou Roger.

O problema é tão latente, que os casos só aumentam. Dados do Observatório da Descriminalização Racial no Futebol apontam que, no ano passado, dos 88 casos de denúncias contra qualquer tipo de preconceito no esporte, 44 dessas foram apenas no futebol. A falta de respeito e a intolerância provocaram um aumento de 340% nas denúncias entre 2014 e 2018. E as punições estão longe de aumentarem nessa proporção.
O pretinho, que no passado arrebentava os pés na pelada de rua, sem chances perto do “menino de família” que tinha lugar cativo nos clubes, hoje está em todo o mundo. Ele é representado pelo Rei do futebol, adorado por quem gosta da bola rolando. E merece ser tratado de igual para igual. Torcedor que é torcedor, quer ver espetáculo. Quer ver lambreta do Tales Magno, arrancada do Bruno Henrique, talento de João Pedro ou uma bela assistência, no estilo Cirino. Torcedor de verdade respeita e sabe que os graves erros do passado realmente não têm lugar no futebol. Nem em lugar nenhum.

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